5 anos e 2 meses – para Cláudia de sua mãe

 

Filha,

Cinco anos e dois meses do trágico acontecimento sofrido por ti.

Como sofro cada vez mais.

Me sentei no teu banco de embalo e chorei muito. A grama verde, cheia de sol, o chão era um carpete de folhas secas caídas das Nogueiras, que já estão dando nozes.

Me lembrei de ti e do teu pai, que dizia que lá era a nossa riqueza.

Depois filha passou para ti adorar os fundos e fazer tudo para que ficasse cada vez mais lindo. O Pergolado e a piscina e tudo mais.

Que Jesus te abençoe e te guarde e que Maria ilumine o teu caminho, com as estrelas do seu manto.

Luz e paz, te amamos!

Mãe

Carta D. Zila – 5 anos do desaparecimento da Cláudia



Há cinco anos que a tua janela está fechada. As roupas, que penduravas na veneziana, para pegar sol, não estão mais ali, mas o meu coração se alegra, porque sei que estás cheia de paz e luz.

Não estás mais participando das dificuldades deste planeta.

Filha, vem me dizer, no meu sono, como está a tua caminhada. Aqui estamos de quarentena, já faz quase um mês e ainda vai mais tempo.

Daí onde tu estás me cuida filha! A saudade cada vez aumenta mais.

Rogamos a Deus que te abençoe e te guarde e que Maria passe na tua frente e vá deixando, no teu caminho, as estrelas do seu manto.

Paz e luz filha, te amamos!

Mãe



P.S.: Filha, a fotografia que agora eu tenho, na minha cabeceira, és tu, com 3 anos, varrendo a cozinha.
É assim que eu te imagino agora… um anjo! (com um sorriso a coisa mais linda)

Inacreditáveis 5 anos

Esse é um texto de saudades e desabafos…

Senti tanta a tua falta, quando mudei para Brasília. Trocávamos cartas, era 1990, só tínhamos os correios e o telefone.

Éramos irmãs inseparáveis, final de semana, aniversário das crianças (as minhas), torcida nas carreiras, sair para compras, tomar café, lagartear com chimarrão, conversar a noite inteira… Andar de bicicleta pelo Laranjal.

A vida foi acontecendo para nós duas, mas os laços da amizade se fortaleceram na distância.

Laços que permitiam inclusive a respeitosa discordância. Continuávamos amigas e confidentes.

Lembro do orgulho recíproco por cada conquista nossa. Na dúvida, na hora das decisões, quantas vezes sentamos, para discutir o melhor caminho a seguir.

Estive contigo quando fostes buscar o primeiro carro comprado, coincidiu com uma ida a Pelotas. Amavas dirigir!

Ainda lembro do telefonema do meu filho, de madrugada, avisando, mãe a tia Cláudia está desaparecida. Nunca mais teríamos o teu sorriso.

No primeiro ano sobrevivi no automático. Minhas forças emocionais eram apenas para te defender.

Sim, eras atacada constantemente, na dignidade e honra.

Conheci o pior das pessoas nesse momento de dor. Ainda tento entender o porquê, em meio a tanto sofrimento, enfrentar tantas mentiras. Fiz uma pasta no computador de prints desonestos e enganosos.

As pessoas ignoram que nós, que sempre te amamos, lemos as atrocidades que escrevem sobre ti ou quando friamente descrevem o que provavelmente aconteceu contigo.

Sobrevivi, sobrevivemos a tua falta, nunca aceitamos, ficou o vazio, o interno e o externo.

Enxergamos e acompanhamos, há algum tempo, o mundo que te rodeava em decadência, resta a vontade de chorar…

9 de abril – The Forgiven

Dia 9 muito perto, muito triste…

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Cláudia, abril sempre será, para mim, um mês difícil, mês da morte do meu pai, dia 13 e, agora, o dia 9, que ficou marcado para sempre, porque te tiraram de nós. Para mim é um mês triste…

Assisti The Forgiven, um filme, parte de uma das missões mais difíceis dadas por Nelson Mandela ao arcebispo Desmon Tutu, comandar a comissão de reconciliação entre torturados e torturadores na África do Sul, a TRC, para restaurar a justiça, depois do Apartheid.

Chorei horrores, porque lidar com a nossa incapacidade, inércia e impotência é muito difícil, dar o perdão cristão mais ainda.

Este filme veio numa hora fundamental, ele me lembrou de tudo que o ser humano é capaz de fazer tanto de bem quanto de mal.

O que mais doeu em mim e me fez desabar ao assistir esse filme foi uma mãe pedindo ao arcebispo que, por favor, encontrasse…

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5 anos

Hoje faz exatamente 5 anos que nos vimos pela última vez, jantamos uma pizza, antes que eu retornasse a Brasília.

Usavas essa roupa, foto tirada no laboratório, antes de sair para a pizzaria. Não sei se a foto é do Tiago ou da Francine. Estavas muito feliz, o novo laboratório ficara pronto.

Ainda sinto a tua mão no meu cabelo brincando: “comadre acho que nunca te vi de cabelo tão comprido”. Realmente, sempre usei mais curto.

Ainda faço coisas estranhas, como procurar mensagens tuas, nas lembranças do Facebook. Qualquer palavra me conforta.

Pequenos acontecimentos me levam para ti, uma marca de carro, uma foto da tua marca favorita de bota…

E, agora, nessa pandemia, penso em tudo que estarias fazendo na biotecnologia.

Sabe, amar também dói, quando a impotência toma conta, quando tudo o que foi feito não foi suficiente.

Sempre sinto a tua falta, aí rezo uma Ave Maria, para te enviar luz, para que continues sempre sorrindo, como nesse momento do click.

Em tempos de coronavírus

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Este texto é uma breve homenagem a tua excelência como cientista.

Se tem alguma coisa que eu aprendi contigo foi lidar com germes, vírus e bactérias.

Me dizias: se tu tiveres uma única opção de lavar a mão, ao usar o banheiro, faz ao entrar, para não te contaminares intimamente, ao sair procura algum lugar em que possas lavar a mão. Porque somos mulheres, é inevitável não se contaminar ao usar papel higiênico.

Muitas vezes, com a minha mãe hospitalizada, ficava na tua casa. Ao entrar, sempre pela porta dos fundos, já tirava as roupas usadas no hospital e colocava na máquina de lavar. Ía ao banheiro, do lado, um banho, faria a “desinfecção” final, antes de adentrar à casa.

As compras empacotadas do supermercado, em embalagens plásticas, eram colocadas direto para pia, para serem lavadas, porque muitas pessoas já as haviam tocado, deixando suas marcas e germes. Assim se preservava a geladeira e a própria comida, que seria ingerida no futuro, de contaminação.

Acho que serias fundamental em época de coronavírus, terias tanto a nos ensinar…

Falo ao rever o teu breve currículo, que publiquei no blog, a tua liderança no grupo de pesquisa em Imunodiagnóstico, a busca do desenvolvimento tecnológico em geração de produtos e processos inovadores aplicados ao diagnóstico de enfermidades humanas e dos animais.

A vasta experiência na área de Microbiologia e Imunologia Aplicada, principalmente nos temas: Produção de Anticorpos Monoclonais e Desenvolvimento de Testes de Diagnóstico. Serias do Balacobaco… Estarias a frente de pesquisas, pronta para atuar no enfrentamento dessa crise.

E eu teria a quem recorrer, diria: comadre, ficarei reclusa 60 dias em casa, sabes da imunodeficiência. O que eu faço agora?!

Nunca terei essa resposta, me resta pensar em ti e naquilo que me ensinastes, enquanto estivemos juntas no mundo.

Avenida Fernando Osório

Mais uma vez em Pelotas, eu ainda tenho medo de encarar a casa ao lado, porque a dor é instantânea.

Existe uma grande diferença no meu olhar ali agora. Antes primavera, agora constante inverno, como as pinturas de Monet, retratando as diversas estações no Jardim de Giverny, mas não há beleza no inverno que se instalou na Fernando Osório.

Dona Zilá abriu a porta para mim, minha filha e meus netos. Logo de cara pude perceber a fragilidade em que se encontra.

Agora usa um andador para se deslocar pela casa e tem sérias limitações de movimentos. A coluna sofre para sustentar seu frágil corpo.

Ao entrar olho para parede onde está o quadro de tulipas pintado pela Cláudia. Pela sala diversas fotografias dela, de muitas épocas.

A conversa é triste, restaram muitos dissabores, além do amargo desaparecimento da minha amiga. 

Quanta diferença! Há 30 anos, quando chegávamos com o meu Fiat 147, estacionávamos em frente à casa e as crianças corriam para brincar no pátio, ensolarado, cuidado e florido.

S. Arlindo cuidando das árvores e das plantas. D. Zilá fazendo pão-de-ló ou outras gostosuras para o café da tarde de sábado.

Meus netos também brincaram no pátio com a Prenda, a pointer mansa e brincalhona e com a Natalina, gata resgatada pela Cláudia, numa noite de forte chuva de natal, em São José do Norte.

Resgatar animais fragilizados ou feridos, muitos deles atropelados em frente a sua casa, avenida de grande movimento, era uma das qualidades da Cláudia, cuidava deles que, por fim, passavam a morar ali.

São muitas recordações, depois de cada viagem elas voltam avassaladoras.

Não vou mais ao pátio, prefiro me lembrar como era, com a presença dela ali, cuidando de tudo e muito chimarrão entremeando nossas conversas.

Carta para a Cláudia, por ocasião de seus 52 anos

Claudia minha filha, em um domingo de outubro, de 1967, nascia em nosso jardim uma flor.

Ela era a mais bela.

Há poucos anos atrás ela plantava, nesse mesmo jardim, um pé de lavanda.

Hoje que ela não está mais aqui, ficou o perfume lindo dessa lavanda, para perfumar a nossa vida e nos emocionar e nos trazer a saudade da sua presença.

Fazes parte de tudo aqui filha.

Que Jesus te abençoe e te guarde e que Maria passe na tua frente e vá deixando, no teu caminho, as estrelas do seu manto.

Paz e luz filha te amamos!

Mãe

O teu aniversário

pós 50

Mais um aniversário de muita saudade, não tem dia em que eu não pense em ti.

Nenhuma palavra pode traduzir a falta que sentimos.

O ciclo não se fechou, sonhos foram interrompidos, com a dolorida saída tua de nossas vidas.

Desejo que estejas bem, dentro da tua crença que, ao desencarnar, serias acolhida pelos teus espíritos de luz. Somente no teu espiritismo conseguimos justificar o teu desaparecimento de nossas vidas.

Por aqui a vida continua, mas ficou o vazio da tua ausência e de tudo o que poderia ter sido.

Feliz aniversário minha amiga, que sejas luz sempre!

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Dona Zilá

Estou em Pelotas e, como sempre, fui fazer uma visita para D. Zilá.

Passamos a tarde juntas, tomamos café, conversamos bastante. Sempre que aqui venho é assim.

Fico impressionada com a força moral e a dignidade desta mulher, apesar da fragilidade dos 84 anos vividos.

As doenças das articulações, dos ossos, já se instalaram. Os problemas da coluna lhe causam dor e a escrita já está trêmula.

Mesmo assim mantém a sua independência, coordena a casa, com ajuda de uma faxineira semanal e dirige seu carro pela cidade, cumprindo seus compromissos.

Quanta força em uma única e pequena mulher.

Fotografei as cartas dela para Cláudia, para poder transcrevê-las aqui no blog. Assim teremos, ao menos, o registro do seu carinho e amor pela filha.

Carta da dona Zilá para sua filha Cláudia, 4 anos de desaparecimento

Cláudia minha filha, a Maria Júlia me disse: quer coisa ou motivo maior ou melhor que saber que os que amamos estão bem?!Procura a renovação mental, pensando em todas as coisas boas que vivencias no momento.

A justiça dos homens não é a justiça de Deus, então é preciso que vivas esses bons momentos na tua vida e deixa que aquelas folhas que se vão vão vão…

A alegria e a emoção me invadiram naquele momento, em saber que estás usufruindo tudo de bom que plantastes aqui na terra.

Aqui as homenagens se sucedem, nos enchendo de orgulho.

O nosso reencontro será lindo! Que Deus me ajude que eu consiga ir para onde estás filha.

A tua Paineira está toda florida e as Nogueiras cheias de frutos. Estás aqui em todos os lugares e momentos!

Te amo filha!

Que Jesus te abençoe e te guarde e Maria Santíssima te cubra com seu Sagrado manto.

Te amamos,

Mãe

4 anos – À tua fé o meu respeito

É assim que eu quero lembrar sempre de ti, com esse sorriso largo e feliz.

Dia 19 de março, o processo do teu desaparecimento foi arquivado. Naquela noite, a tua mãe escreveu um texto pra ti e para todos os que acompanham o teu caso, para começarmos uma nova etapa, a de paz, luz e orações por ti.

Tu eras uma pessoa de fé, congregavas a fé espírita. Eu, hoje, quero me colocar no teu lugar e no da tua mãe. Olhar tudo o que aconteceu pelos teus olhos e pensar no que tu, como mãe, gostarias que tivesse acontecido.

E, pensando em ti, em tudo o que vivemos, em mais de 30 anos de amizade, acredito que me dirias, assim foi melhor.

Sabemos que na doutrina espírita sempre viemos juntos, para algum resgate, crescimento e, eu diria, nos meus parcos conhecimentos, em comparação aos teus, que também para a justiça de vidas passadas.

A tua mãe me confidenciou que não conseguiria ver o neto sendo preso e na cadeia. Só ela sabe a dor que foi te perder, só ela carrega essa cruz, por ela tenho o máximo respeito, por toda a dignidade perante a dor. Também me disse, a Cláudia nunca poderia ver isso.

O que as pessoas pensam disso já não importa, o que importa é o bem estar da tua mãe. Então a frase doa a quem doer fica sem sentido, porque quem está carregando esta dor é a tua mãe. Também dói em nós, mas é ela que sente a tua falta todos os dias, o sofrimento imenso é dela.

Se houver julgamentos públicos pela decisão da D. Zilá, que venham, independente de tudo o que aconteceu nesses 4 anos, todas as ações tomadas pela família e pelos amigos sempre foram julgadas. Seguimos em frente, sempre foi pela Cláudia…

Essa falta justiça terrena me faz crer que assim desejastes, precisas agora do teu descanso, como me disse a tua mãe. Por isso te ofereço as minhas orações, para que encontres a tua luz e o teu caminho espiritual.

Que o teu espírito fique em paz minha amada amiga e irmã!

Agora descansa na acolhida de Deus!

O que uma mãe é capaz de fazer pelo seu filho

Quando temos um amor incondicional e esse amor é para os nossos filhos, não conheço outro amor incondicional, somos capazes de fazer muitas coisas, na defesa deles.

A Cláudia sempre foi incondicional na defesa do seu filho. Por duas vezes discutimos na vida mais seriamente, ambas por divergências na condução da educação dos filhos.

Como boas amigas sempre respeitamos a opinião uma da outra, mesmo na divergência.

Eu acredito que ela teria sofrido imensamente, ao ver seu filho indiciado. Existe, de minha parte, uma tristeza profunda nessa suposição.

Não tenho como mudar o passado, não posso intervir no que aconteceu, não tenho condições para fazer um julgamento. Sofro com isso, mas temos que continuar em frente.

Hoje as poucas coisas que consigo fazer na distância é não deixar a Cláudia ser esquecida e ser presente para a sua mãe, D. Zilá.

Na semana do seu aniversário de 84 anos, que foi dia 27 de março, a dona Zilá esteve no lar Fabiano de Cristo e lá recebeu uma recomendação, que deixasse a Cláudia descansar, que agora elevasse as suas orações para ela.

Conversamos nesse dia e foi isso que ela me pediu, enquanto não temos a justiça dos homens, pois temos a certeza da justiça divina.

A acusação

Penso, hoje, que o desaparecimento da Claudia será mais um caso insolúvel.

Não temos pistas, não temos materialidade, apenas indícios e antecedentes. Não há testemunha.

O promotor investigou exaustivamente, pediu revisão de pericias, buscou provas e fez dois indiciamentos, que são públicos.

Aqui no blog sempre me coloquei para a Cláudia, a nossa amizade e vivências. Desde o início o meu foco foi para ela e para a defesa dela.

Coloquei, também, diversas vezes que eu não sabia o que tinha acontecido e, portanto, não iria acusar ninguém.

Gostaria muito que esse caso se resolvesse e que os culpados fossem punidos. Punir qualquer um apenas para dar resposta a sociedade, não é fazer justiça.

Eu tenho a minha suposição, mas suposição não prova nada.

Me pego constantemente tentando pensar como se fosse a Claudia, como ela agiria, como ela gostaria que tudo isso se resolvesse.

Hoje, penso que não chegarei a uma conclusão. Tento ficar em paz com a minha consciência e faço aquilo que acho que ela gostaria que eu fizesse.

Se, um dia, aparecer uma pista e a prova cabal de quem executou esse crime, que a lei seja cumprida!

As perguntas não respondidas

Todos se perguntam o que aconteceu com a Cláudia.

São inúmeras as perguntas não respondidas, mesmo para nós, amigos e família, não há respostas.

O que se sabe: Cláudia visitou enfermos, jantou com uma amiga, retornou para casa. Entrou e fez um café, jogou a colherinha na pia, como sempre fazia. Seu filho, de quem sou madrinha, estava em casa.

Se percebeu uma diferença de comportamento, as roupas dobradas no quarto. Como ela visitou doentes, ela não entraria com essas roupas no quarto, ela as colocaria direto na máquina de lavar, porque sempre fazia assim. Por ser uma cientista, que estudava doenças, tomava muito cuidado com contágio.

Sobre as cortinas, no dia da faxina a Cláudia, pela manhã, retirava as cortinas e colocava para lavar, quando voltava para casa, pendurava as cortinas, para secar, já no local delas.

Isso é o que sabemos!

As pessoas sempre perguntam como que o goleiro Bruno foi preso e no caso da Claudia não há nenhuma prisão. Eu respondo, no caso da Elisa Samudio havia materialidade, o sangue dela foi encontrado no carro e seu filho estava, sob os cuidados da ex-mulher do goleiro. No caso da Cláudia não existe absolutamente nada, nem o corpo, nenhuma materialidade.

Quanto as críticas à família e aos amigos. No início, todos nós fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, para encontrar a Cláudia viva, porque acreditávamos nisso.

Também apostamos nas investigações da Polícia. E aqui eu faço uma ressalva, a demora no início dessa investigação e a greve que aconteceu no meio dela, trouxeram prejuízo ao caso. Outro problema enfrentado, a falta de peritos no Rio Grande do Sul.

Quando vimos que a investigação policial não seria suficiente, foi contratada uma empresa particular, para acompanhar o caso. Essa empresa também não obteve nenhum resultado.

De minha parte, uma particularidade, eu procurei duas espiritualistas inclusive, para obter algum tipo de resposta. Nenhuma delas conseguiu encontrar a Claudia, sequer no umbral. Com uma delas fiz 3 consultas.

Encontramos no caminho alguns impedimentos. Não sei o porquê que uma das pessoas, que pensou em criar a página desaparecida, estava mais interessada em defender os acusados, do que realmente preservar a memória da Cláudia. Isso ainda é um mistério, inclusive para as pessoas que mantiveram a página, a quem agradeço, depois da saída dessa criatura.

A Claudia foi tremendamente prejudicada e a investigação sobre o caso dela também. O Ministério Público resolveu processar algumas pessoas, por considerar que estavam prejudicando as investigações, com as intensas críticas ao promotor e ao advogado da Cláudia. Ao advogado, naquele momento, todos os meus agradecimentos, era um colega de universidade da Cláudia, que se propôs a atender a dona Zilá, sem nenhuma remuneração.

Quanto ao perito Sanguinetti. A família procurou a ajuda dele, lhe deu todo o apoio, inclusive fornecendo informações sobre o caso da Cláudia. Para nossa surpresa, ele foi um dos que se colocou ao lado da pessoa que eu citei acima, que defendia os culpados. A partir daí, nós nos posicionamos contra a ida dele a Pelotas, por acharmos que ele também estava prejudicando o processo.

A verdade é que, não sabemos o que aconteceu, como aconteceu, onde a Cláudia está, não sabemos. Encontramos muitas dificuldades no decorrer da investigação e de todo processo criminal.

Gostaríamos que ela tivesse sido encontrada e recebesse um enterro digno, o que não foi possível.

Sobre a dona Zilá, uma das pessoas mais fortes que eu já conheci na minha vida, de uma fé inabalável e dignidade extrema, de um imenso respeito a memória da filha e para tudo que dela restou. Até hoje ela faz o Evangelho espírita no lar, pela família e pela Cláudia.

Aqui na terra, não há mais nada a fazer, enquanto não surgir nenhuma pista.

Pela crença da dona Zilá e da Cláudia, há a esperança na busca de uma vida espiritual tranquila e cheia de luz.

Para quem, até hoje, mantém a memória da Claudia viva, todos os meus agradecimentos!

O sentido da vida

No dia 9 de maio de 2008, eu e outras amigas recebemos essa mensagem da Cláudia… Muitas coisas, para nós, não fazem sentido, sobre tudo o que aconteceu com ela, mas para ela faz todo sentido…

“Encaminho para compartilhar com vocês as palavras de M. Medeiros… embora discorde quanto a falta de sentido da vida. 

Acrescento, então, ao texto minha opinião: Acredito que a vida tem sentido sim, embora talvez não tenha o sentido que queremos ou que entendemos no momento.

Abraços da amiga, Cláudia

Aproveito para desejar um Feliz Dia das Mães para todas, sejam mães de humanos , caninos, felinos e outros mamíferos. Também mães de aves, peixes e répteis. 

Beijo”

Os quatro fantasmas –  Martha Medeiros

Leiga, totalmente leiga em psicanálise, é o que sou. Mas interessada como se dela dependesse minha sobrevivência. Para saciar essa minha curiosidade, costumo ler alguns livros sobre o assunto, e outro dia, envolvida por um texto instigante – acho que da Viviane Mosé, que já foi mencionada nesta página anteriormente – me deparei com as quatro principais questões que assombram nossas vidas e que determinam nossa sanidade mental: 

São elas: 

Sabemos que vamos morrer. 

Somos livres para viver como desejamos. 

Nossa solidão é intrínseca. 

A vida não tem sentido. 

Basicamente, isso. Nossas maiores angústias e dificuldades advêm da maneira como lidamos com nossa finitude, com nossa liberdade, com nossa solidão e com a gratuidade da vida. Sábio é aquele que, diante dessas quatro verdades, não se desespera. 

Realmente, não são questões fáceis. A consciência de que vamos morrer talvez seja a mais desestabilizadora, mas costumamos pensar nisso apenas quando há uma ameaça concreta: o diagnóstico de uma doença ou o avanço da idade. As outras perturbações são mais corriqueiras. Somos livres para escolher o que fazer de nossas vidas, e isso é amedrontador, pois coloca a responsabilidade em nossas mãos. A solidão assusta, mas sabemos que há como conviver com ela: basta que a gente dê conteúdo à nossa existência, que tenhamos uma vontade incessante de aprender, de saber, de se autoconhecer. 

Quanto à gratuidade da vida, alguns resolvem com religião, outros com bom humor e humildade. O que estamos fazendo aqui? Estamos todos de passagem. 

Portanto, não aborreça os outros e nem a si próprio, trate de fazer o bem e se divertir, que já é um grande projeto pessoal. 

Volto a destacar: bom humor e humildade são essenciais para ficarmos em paz. Os arrogantes são os que menos conseguem conviver com a finitude, com a liberdade, com a solidão e com a falta de sentido da vida. Eles se julgam imortais, eles querem ditar as regras para os outros, eles recusam o silêncio e não vivem sem aplausos e holofotes, dos quais são patéticos dependentes. A arrogância e a falta de humor conduzem muita gente a um sofrimento que poderia ser bastante minimizado: bastaria que eles tivessem mais tolerância diante das incertezas. 

Tudo é incerto, a começar pelo dia e a hora de nossa morte. 

Incerto é nosso destino, pois, por mais que façamos escolhas, elas só se mostrarão acertadas ou desastrosas lá adiante, na hora do balanço final. 

Incertos são nossos amores, e por isso é tão importante sentir-se bem mesmo estando 

só. Enfim, incerta é a vida e tudo o que ela comporta. Somos aprendizes, somos novatos, mas beneficiários de uma dádiva: nascemos. Tivemos a chance de existir. De se relacionar. De fazer tentativas. O sentido de tudo isso? 

Fazer parte. Simplesmente fazer parte. 

Muitos têm uma dificuldade tremenda em aceitar essa transitoriedade. Por isso a psicoterapia é tão benéfica. Ela estende a mão e ajuda a domar nosso medo. Só convivendo amigavelmente com esses quatro fantasmas – finitude, liberdade, solidão e falta de sentido da vida – é que conseguiremos atravessar os dias de forma mais alegre e desassombrada.

O amor de uma mãe é incondicional?!

Muitas mães amam seus filhos incondicionalmente. Com a Cláudia era assim…

Muita dedicação muita atenção e muita preocupação, não gostava que interferissem na sua maneira de ser maternal.

Seu filho vinha antes de tudo…

A sua preocupação com ele dobrou com a morte de seu pai e avô de seu filho. A falta do companheiro do filho preocupava a mãe.

Essa morte mudaria também a vida da Cláudia. Ela resolveu se cuidar, para que pudesse continuar a cuidar do filho, que entrava na adolescência.

Maternidade e a família

A maternidade nos transforma, não foi diferente com a Cláudia. Ela se tornou uma mãe extremada, companheira e, junto com o Seu Arlindo e a Dona Zilá, amaram e cuidaram do filho e neto.

Sempre quis dar tudo o de melhor para o filho, em estudo, educação, oportunidades de vivências.

O filho acompanhava o avô em tudo, aprendeu com ele a fazer qualquer tipo de reparo, e a cuidar das árvores e do pátio. O avô se foi cedo, depois de uma pneumonia dupla.

A Cláudia era fã do pai, transmitiu esse sentimento ao filho. Ambos sentiram demais essa partida. O cuidador se foi, deixando em prantos a sua eterna namorada, D. Zilá.

Para mãe e filha restou a força de seguir em frente.

Eu tenho um objetivo aqui, defender o que eu acredito que a Cláudia gostaria.

Quando nos tornamos mãe?!

No decorrer desses dias, escreverei sobre o que me levou a tomar uma posição, que publicarei no dia 9.

Não haverá nenhum julgamento de minha parte, não apontarei meu dedo para ninguém, simplesmente vou externalisar os meus porquês.

Então meus amigos, eu espero que leiam, mas também não façam julgamentos. A Cláudia que conheci e era minha querida amiga, não gostaria que houvesse …

Se sentir mãe é diferente para cada mulher, pode ser no início da gravidez . Para mim foi quando eu soube que estava grávida…

O vínculo entre a mãe e seus filhos é único, cada filho percebe este elo de uma determinada maneira.

A Cláudia, que não dava muitas demonstrações afetivas, tinha um amor visceral pelo seu filho.

Como muitas mães, era um amor incondicional…

Sempre foi assim…

Cidadão e gente do bem

pós 50

Alguém pode me dizer ou explicar o que significa essa expressão, cidadão e gente do bem?!

Por que varias das pessoas, que são defensores da moral e dos bons costumes, atualmente, pregam o armamento e o ódio nas redes sociais e se intitulam cidadão ou gente de bem.

As gentes do bem já me fizeram sofrer muito, na época do desaparecimento da minha melhor amiga, Cláudia Hartleben.

As pessoas que assim se intitulavam, os cidadãos de bem, questionavam se o que dizíamos, família e amigos, era verdade. Suspeitavam de tudo e de todos, mesmo sem conhecer ninguém do círculo da Cláudia.

Também questionaram a reputação da minha amiga, colocavam em dúvida se ela estava desaparecida, falavam coisas tão estapafúrdias e deprimentes que eu agradecia, todos os dias, porque a mãe da Cláudia não participava das redes sociais.

Gente do bem, sempre falavam isso no Facebook, em momentos de pura verborragia…

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Carta D. Zila, por ocasião do arquivamento do processo da sua filha Cláudia

Cláudia minha filha, 4 anos!

A justiça da terra não conseguiu, apesar de todos os esforços, provas suficientes para encontrar a materialidade do crime praticado contra ti.

Vamos encerrar esse ciclo filha e vamos direcionar nossas forças para justiça divina, esta não tem incertezas, não falha.

Luta filha, aí onde te encontras agora e faz o mesmo que fizestes aqui na terra.

Trabalha estuda e ama. Vence aí também, com a mesma garra, todos os obstáculos, chegando onde chegastes aqui, conquistando os melhores lugares.

Deixa aí também o teu legado! Nós estaremos contigo nesta nova luta.

Deus há de nos dar forças para te ajudar, com as nossas preces. Vais conseguir filha! Aqui sempre fostes vencedora, aí não será diferente!

Que os teus amores te ajudem aí!

Que jesus te abençoe e te guarde e que Maria Santíssima te cubra com o seu sagrado manto.

Paz e luz filha, te amamos!

Mãe

P.S.: aqui todos os nossos amigos oram por ti e também os que nem te conhecem.

A segunda morte da Cláudia

A Cláudia tinha a real dimensão de que um dia poderia desaparecer, ela sempre avisou isso, também dizia que jamais seria encontrada.

Era como se fizesse uma previsão, mas nos últimos anos ela estava tão bem, que essa previsão ficou distante, parecia que não aconteceria mais.

Mas como alguém já disse, ninguém foge ao seu destino. A profecia se realizou, no dia 9 de abril de 2015.

A princípio queríamos acreditar que ela estava viva, foi o que mais desejamos, a volta dela.

Bem, ela não voltou, há anos nos perguntamos, o que aconteceu, o que fizeram com ela, onde ela está?! Sem respostas…

Hoje, sem saber ainda do rumo do seu processo e da investigação, fui reler todas as anotações desses quase quatro anos, antigas mensagens, publicações e comentários nas redes sociais, sobre o caso da Cláudia. Só posso lamentar tudo o que li. As pessoas são muito cruéis. Mais uma vez agradeço pela dona Zila não ter acesso a essas redes.

A vida não foi justa, não foi justa com a Cláudia, não está sendo justa com a sua mãe.

E agora a justiça dos homens também falha, o inquérito do desaparecimento dela foi arquivado, hoje, 19 de março de 2019.

Dona Zila não poderá dar um enterro digno para sua filha. A justiça não acontecerá.

Os homens não estiveram à altura dessa grande mulher. Não foram capazes de solucionar o seu desaparecimento, não a encontraram.

Hoje é a segunda morte da Cláudia!

Cláudia Hartleben – a cientista

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O dia 11 de fevereiro foi escolhido pelas Nações Unidas para marcar a importância feminina à ciência e tecnologia, tenho orgulho imenso de duas cientistas, da Cláudia e da minha filha, tão influenciada por ela.

Ambas com doutorado, dedicação intensa à pesquisa e à ciência, uma foi perdida no transcorrer da sua carreira, seu conhecimento foi tragado pela treva.

A outra, a minha, continua vida afora orgulhando a madrinha…

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Médica Veterinária, Mestre em Medicina Veterinária e Doutora em Biotecnologia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Professor Adjunto do Centro de Desenvolvimento Tecnológico (CDTEC/UFPEL) onde atua nos cursos de Graduação em Biotecnologia, Pós-Graduação em Biotecnologia/UFPel e Pós-Graduação em Parasitologia/UFPel. Lidera o grupo de pesquisa em Imunodiagnóstico onde busca o desenvolvimento tecnológico em geração de produtos e processos inovadores aplicados ao diagnóstico de enfermidades humanas e dos animais. Presidente da Comissão Interna de Biossegurança (UFPel) e Membro da Comissão de Ética em Experimentação Animal (UFPel). Integrante dos colegiados de curso de Graduação e Pós-Graduação em Biotecnologia. Ministra aulas nas disciplinas de Biossegurança, Microbiologia e Imunodiagnóstico. Tem experiência na área de Microbiologia e Imunologia Aplicada, atuando principalmente nos seguintes temas: Produção de Anticorpos Monoclonais e Desenvolvimento de Testes de Diagnóstico. A professora da UFPel, CLÁUDIA PINHO HARTLEBEN, está desaparecida desde o dia 09 de abril de 2015, em Pelotas, no Rio Grande do Sul.

Carta D. Zila para Cláudia – 1 de janeiro 2019

Claudia, minha filha, está terminando o primeiro dia do ano de 2019, me deu uma vontade louca de escrever para ti.

A saudade chega há qualquer momento.

Fiz a oração com o Padre Alessandro, pedindo a Deus por ti e meus amores, que estão aqui comigo.

Que Jesus te abençoe te guarde e Maria santíssima te cubra com seu sagrado manto.

Te amamos,

Mãe.