Dia 9


Oi Cláudia, como não posso falar contigo,  vou escrever. Dia 9 irá completar o segundo mês do teu desaparecimento e confesso que não lembro de ter tido uma experiência tão assustadora na minha vida. Tem outras bem tristes, perdi meu pai, perdi uma filha ainda grávida, mas nas mortes os ciclos se encerram. Como amiga compartilhastes outros períodos difíceis para mim e o teu apoio foi fundamental. Agora estou aqui me perguntando o que é para fazer com o teu sumiço.  Passo os dias tentando conciliar a minha vida com o teu desaparecimento, me perdi no dia em que recebi a notícia. A vida continua, mas é tão difícil prestar atenção no que acontece, consigo fazer tudo no automático, nos intervalos procuro notícias, alimento com o que posso as redes sociais, porque não quero, nem posso deixar, que as pessoas te esqueçam, acontece que a vida delas também continuou… Dois meses, nesse mundo maluco em que vivemos, é muito tempo Cláudia, as pessoas tem seus compromissos, como pedir para que continuem prestando atenção em ti?! Bah guria, essa é uma das expressões que mais usas, bah guria, que desespero!  Me pego te pedindo ajuda, será que conseguistes deixar alguma pista que não notamos? És tão inteligente… Penso e repenso cada detalhe da tua vida, sim, terás que me pagar o aluguel das 20 horas diárias que estás ocupando a minha mente. Eu perdoo a dívida na tua volta, sei que sumir não foi a tua intenção, diz de quem foi, dá um sinal. Iremos dar um jeito.  Dia 9 a tua ausência vai doer um pouco mais, não demora!

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