Segunda


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Já é segunda feira e a semana começou, pela manhã o trabalho chama e lá vou eu, não por inteiro, uma parte de mim está no dia 9 de abril e não quer voltar, por mais que minha racionalidade insista, meu coração tem vontade própria e ficou preso no tempo.  Já estava deitada quando me chamastes para conversar e, como sempre, aqui estou em mais uma madrugada, sem café, sem chimarrão, só contigo, assim poderei prestar mais atenção. Tenho em mim uma grande necessidade de te ouvir, o silêncio e a solidão são necessários, mas não estou completamente só, estás aqui em pensamento, então estás comigo.  Sobre o que queres conversar hoje?! Tudo está estranho, confesso que hoje ao ler a página dedicada ao teu desaparecimento não entendi nada, saístes sozinha pelo mundo, existe essa teoria…  Sei que não, tinhas muitos motivos para ficar, fugir nunca foi uma opção, nunca fugimos, não é mesmo?! Sempre enfrentamos tudo e a todos,  bem, eles não te conhecem, não fica brava. Outro comentário é que estavas acompanhada de um homem, sim existe a pessoa que acha que te viu pelas bandas de Canguçu, em direção de Piratini.  Mais uma novidade, agora não é mais um, são dois. É tanta coisa que já li que não tenho vontade de ler mais.  Até revidei algumas dessas teorias, mas sabe, acredito que as pessoas precisem falar, na página, no computador, ao vento, então vou deixar, tem coisas que não temos como evitar.  A tristeza é uma dessas coisas, todos estão tristes com a tua falta, ausência, vazio.  O que fazemos agora?! Estou aqui, no silêncio da minha sala te pedindo uma resposta, uma partícula está travada, se passaram 90 dias, o que que é que a gente faz agora? Eu particularmente tenho vontade de gritar com meio mundo que diz sentir o teu desaparecimento, não vocês não conseguem sentir o que estamos sentido, só quem já passou por isso sabe o que é esse misto de desespero e dor e falta e vazio, vocês podem ser solidários, mas estão sentindo isso?  Deixaram de dormir? Suas vidas pararam no tempo? Fazem as coisas no automático? Estão atordoados?  Não, né?! Então, não digam que sabem o que  estamos passando,  não sabem, não tem como imaginar, até o dia 9 de abril eu também não sabia.  Hoje peço desculpas as pessoas e famílias que estavam vivendo isso, sim eu nunca imaginei que doesse tanto, perdão por ter um dia, pretensamente, acreditado que o que vocês sentiam poderia ser expressado por essa mortal que nunca havia tido uma experiência igual, só me resta pedir perdão, perdão, perdão… Pobre pessoas, eu também já fui uma delas… Cláudia, tá difícil, muito difícil mesmo, sempre gostei do diálogo, estou tendo que aprender o monólogo, não quero isso mais, volta!

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