Senhora do tempo


E vamos nós mais uma noite a caminho da madrugada, estou pensando em ti e tuas longas noites escrevendo artigos científicos para publicação,  na carreira de pesquisadora se faz necessário. Muitas dessas noites te acompanhei, as vezes interrompia para conversar com o meu afilhado, outro que gosta da noite desde criança.  Parece que no silêncio das madrugadas o nosso rendimento é maior. Paravas para fazer um café, um lanche, colocar água para o chimarão, um aluno pedia socorro, ía para a tua casa porque tinha que acabar a monografia, precisava só de uma orientação e tu estavas sempre ali. Coincidência ou não, mesmo morando em Brasília, acompanhei essas viradas de noite ao teu lado, no outro dia um café e pegar a estrada para o campus. Muitas pessoas receberam de ti esse suporte, mesmo cansada estavas ali, quanta batalha, quanto estudo, quanto resultado.  Essa semana o Odir publicou um reconhecimento ao teu trabalho, junto com a equipe do laboratório. Desde aluna começaste a pesquisar a leptospirose entusiasticamente, quando Pelotas sequer sabia da epidemia, tu já tinhas feito esse diagnóstico, me ligastes e pensamos como conduzir o assunto da melhor forma, já que eras uma estagiária da secretaria municipal de saúde. Eras certeira, por isso sempre confiei no que me dizias. Ir para a biotecnologia foi aprofundar as possibilidades de pesquisa e diagnóstico, sempre uma entusiasta, encaixava projetos escritos nas madrugadas, conseguias verba, financiamento, bolsa para os alunos. Tempo?! Não era problema, as horas se multiplicavam diante da tua vontade de querer sempre mais. Então, fica muito difícil imaginar o agora, o tempo real, as horas e minutos passando e nada acontecendo. O que há por vir?! Tanto tempo desperdiçado, não é mesmo?! Quanto isso estaria rendendo nas tuas mãos… Aqui estamos todos nós e eu me pergunto onde estás tu, o que tens feito, como ficarás?  Não tenho nenhuma dessas respostas. Só posso desejar que esses longos dias não te tenham feito sucumbir, que as horas tenham te tido misericórdia, que estejas cuidada por Deus, como uma amiga diz, que Ele esteja te carregando na palma da sua mão, que a vida te cuide com carinho, aquele carinho e cuidado que não tiveram contigo quando te levaram de nós… minha querida amiga, minha senhora do tempo…

9 pensamentos sobre “Senhora do tempo

  1. Fazia alguns dias que não chorava pela Claudia!! Parece que me escondi em outros projetos para não pensar nesta dor que por meses me machuca.. Para não ver meus novos amigos, Adriana, Pedro e Clarice sofrerem, ou talvez por que nada posso fazer e isso me indigna muito!
    Teu desabafo me faz sentir saudades de uma Claudia que eu nunca vi, saudades do movimento de projetos que nunca participei, saudades de uma amizade de duas comadres que eu nunca convivi, mas sei do que nós amigas conversamos e como conversamos e dividimos!! Saudades! Vontade de ouvir que ela voltou! esperança de que tudo se ajeite!! Enquanto isso desabafa amiga, escreve, por que tenho muita esperança que Claudia ainda leia todos teus escritos!! Enquanto isso Deus te carrega na palma de sua mão!!

  2. Não esquecendo que quem a tirou do convívio da família, tirou também das pesquisas tão importantes, e quanto a leptospirose, nossa! É um projeto de extrema importância para Pelotas e principalmente para a períferia!!!

  3. Adriana, grande beijo. Continuamos na luta pela verdade!
    Tomara que um dia tenhamos a resposta que procuramos desde o dia que tiraram Claudia do nosso convívio!

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