Margaridas


margaridas

Sabes que a minha escrita não é regular, ela acontece quando algo me inspira, não que eu seja dada a grandes escritas, nada disso, sou corriqueira, escrevo sobre sentimentos, acontecimentos, lembranças, apenas isso… Então essa noite tive um sonho muito estranho, com uma pobre mulher chamada Margarida, pobre, desfilava publicamente em um caminhão, em sua cintura um cinto de ferro com pregos, uma violência com a dita, ao acordar me incomodei, diziam que assim estava porque fora criada daquela maneira e fizera o mesmo com a filha, porque só aprendera a viver assim. Não sei porque associei isso com o teu desaparecimento, margaridas foram flores presentes na minha infância, associadas com lembranças boas, o sonho foi agoniante. Apenas recordei de alguns comentários a teu respeito e do teu sumiço, que a mídia só dava tamanha cobertura porque eras rica e de sociedade…, rsrsrs, tua vida sempre foi tão simples, tua família sempre viveu do árduo trabalho, desde a época de teus avós, nenhum luxo, pequenos confortos que a antiga chácara de teu avô, agora diversas casas da família, proporcionava, frutas, madeira, ovos… por aí.  Rica não, vivias do teu trabalho, conquistas de labor, uma vida confortável. Sociedade, frequentavas a tua família, o teu circulo de amigos e os colegas da universidade, teu nome já saiu no jornal, por conquistas profissionais, pelo esforço de tuas pesquisas. Vejo uma semelhança entre o desfile da Margarida e o teu desaparecimento, a exposição pública de vocês duas, uma desfilando em carro aberto, outra tendo sua vida exposta, pessoas tentando descobrir o que não há para ser descoberto. A polícia e o Ministério Público fazendo o seu trabalho como deve ser feito, com discrição. A Margarida sendo achincalhada pelos transeuntes, que nunca a conheceram e sequer entenderam ou entenderão a fatalidade a que foi exposta na vida. A tua fatalidade te expôs. Duas tristes realidades, a do meu sonho e a do teu sumiço. Meu sonho me inquietou, teu sumiço me assola!

2 pensamentos sobre “Margaridas

  1. Adriana, tuas palavras me fazem refletir, pensar! O que é esta sede que temos de tentar ser os adivinhos das tragédias humanas?? O que é esta sede de termos razão?? Para que serve tudo isso?? Alimenta quem? E mesmo que Claudia nada fosse, é uma mulher, um ser humano que tem família e merece todo respeito..Quando vamos parar de bradar com a ignorância, com a falta de respeito? Repúdio qualquer manifestação que seja de bisbilhoteiros!! Admiro esta Claudia vencedora que teve as oportunidades de uma menina pelotense comum, de família trabalhadora e se manteve simples e humilde.Mas verdadeiramente uma Doutora, pelo respeito que se ouve de quem á conhece, pelas pessoas de seu convívio!! Mais uma vez muito bom teu escrito!!

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