Usura


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Sempre me chamastes de vermelhinha, dada a minha tendência em me posicionar a esquerda, desde os tempos de estudante, me rendo, se se indignar com tudo o que o homem faz para explorar o seu semelhante é ser vermelhinha, sou mesmo, ainda fico indignada com a usura humana. Estava aqui pensando nas tragédias recentes que tem acontecido, no Brasil, Mariana, pelo descaso ou pouco caso com a vida humana frente ao capital e em Paris, cidade que amavas, onde sonhavas fazer o teu pós doutorado, pelo fundamentalismo religioso e terrorismo. A indiferença humana é de uma crueldade ímpar, vou fazer uma breve cronologia aqui de fatos acontecidos nesse ano, e nem vou me referir a Síria. Em janeiro foram duas mil pessoas mortas na Nigéria, em abril 147 mortos no Quênia, em outubro foram 95 mortos na Turquia, no Líbano dois dias antes da França, 40 mortos e em Paris 129 mortos e em todos esses lugares tantos outros incontáveis feridos, em todos esses lugares, os ataques foram terroristas. Passei esse final de semana pensando que estamos chocados com o que aconteceu na França, mas não percebemos nada disso antes, como deixamos de ver 2 mil mortes na Nigéria?! Tenho uma outra pergunta, quantas mortes estão acontecendo no oriente pelo petróleo, sim, pelo petróleo?! O período pós invasão do Iraque resultou na morte de 120 mil civis, os que foram contados… A realidade é que só vemos o que a imprensa quer nos mostrar, sempre foi assim, choramos pelos americanos do onze de setembro e estamos chorando pelos franceses, sim, porque é uma tragédia terrorista e tem que ser chorada, mas pouco se sabe sobre os genocídios que estão acontecendo no mundo, que não são divulgados, muito menos chorados pelo mundo ocidental. Em Mariana, que a imprensa divulgou tão pouco, tem um distrito inteiro submerso pela lama tóxica, sete mortes confirmadas e 15 pessoas desaparecidas.Também passei o final de semana engasgada pelo desastre ambiental de Mariana, cidades e mais cidades banhadas pelo rio Doce que agora sequer água têm para beber. Um rio morto, devastado pelos metais pesados e pela sedimentação das margens por águas cheias de ferro, quantas milhares de pessoas atingidas?! Não estou comparando as tragédias, estou escrevendo sobre o que me incomoda, o abuso, a exploração humana por outro ser humano, a qualquer custo, seja petróleo, seja minério, vale matar.

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