Receitas


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Hoje bateu aquela vontade de revisitar receitas antigas, sempre gosto e olhar, principalmente as da vó Olga, a quem eu ficava desde pequena acompanhando, seguindo os passos, correndo da copa para a cozinha e da cozinha para a copa, tentando acompanhá-la em seu ritmo silencioso e rápido. Ela acordava as 5 horas, gostava de cozinhar no fogão a lenha. Colocava a lenha para queimar e enquanto aquecia ela separava a nata do leite para fazer a manteiga que iria usar mais tarde. Quantas vezes cheguei pela manhã e lá estava ela de avental, com uma enorme lata entre as pernas com um batedor de madeira adaptado, batendo a nata. O alguidar, as gamelas, farinha, ovos açúcar, tudo disposto na mesa redonda da copa, conforme a receita que iria ser feita. Ao lado, na cozinha o enorme fogão a lenha tinindo cozinhava a sopa, o feijão do dia, a carne, as verduras e legumes exalando os aromas e nos convidando a ficar. A mesa sempre posta com pão fresquinho, manteiga e geléia. Eu, felizarda, ganhava o meu pão com bife e café com leite as dez horas, ela parava o que estava fazendo para passar um bifinho na chapa do fogão, minha merenda. Depois voltava correndo para a copa onde acompanhava os afazeres de minha avó. Nunca entendi como ela encontrava tanto tempo para tudo e para todos. Somos netos apaixonados por ela, mulher forte, quase calada, sorriso franco e sincero, mas muito, muito carinho nos gestos. Cada coisa recebida de suas mãos trazia junto o seu recado, fiz especialmente para você, porque sei o quanto você gosta. Me apaixonei pela cozinha assim, a beira de uma mesa de doces, olhando avidamente o que ela fazia, como fazia, quanto colocava de cada ingrediente. Desse jeito aprendi a fazer o seu pavê de chocolate e nozes, ovos moles ou baba de moça, merengue, pudim de claras, torta de amendoim, e todo o básico da cozinha do dia-a-dia. Algumas coisas que temos em comum era sermos metade portuguesa metade alemã, uma avó Olga, também tens a tua, gostarmos de chimia, misturar doce com salgado, trocar receitas e tantas outras que nos aproximaram. Juntinho das anotações da minha vó Olga encontrei uma tua Cláudia, o pão de ló de laranja, que coroou muitas tardes de sábado de nossas conversas. Saudades!

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