Para Cláudia, com amor – por Lisa Siqueira


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Conheci a Lisa de uma forma estranha, de uma maneira diferente, a luta pela Cláudia nos uniu. Pedi para ela escrever um texto, me dizendo porque há um ano também luta pela Cláudia, sem nunca tê-la visto. Chorei lendo, me emocionei com as suas palavras.
Esse texto é uma homenagem a todas as pessoas que buscam por essa grande amiga e mulher desaparecida, mesmo não a tendo conhecido, os meus agradecimentos e carinho a todos, vocês não esqueceram dela …

Para Cláudia, com amor.

Amiga… Sim, somos amigas! Apesar de nunca termos nos encontrado pessoalmente, somos amigas, como todas as mulheres deveriam ser, porque sabemos das nossas lutas internas e externas. O gênero nos une e nos faz conhecer umas às outras, mesmo sem nunca termos nos olhado nos olhos.

Então, amiga, não está fácil, sabes? Há um ano tu desapareceste da vida dos teus conhecidos e entraste na vida de centenas que nunca te viram. Há um ano, tu nos uniste, conhecidos ou não, em torno dessa causa: a de te encontrar.

Amiga, de lá para cá deu muita confusão, sabes? Muita briga, muita fofoca, muita encrenca mesmo. Mas, neste sentido, as coisas estão mais tranquilas agora. Só o que não mudou é a angústia de ainda não saber nada de ti. Todos os dias eu acordo, tomo meu café, pego meu note e acesso à internet, na esperança de encontrar alguma notícia a teu respeito. Um ano, amiga! 365 dias fazendo isso! E não faço isso sozinha. Eu sei que o Pedro conta a tua ausência todos os dias, lamenta a falta de notícias e  sofre de saudade. A Adriana também. Eu não a conhecia antes, mas eu sei que ela já foi mais feliz por tua causa e que hoje ela anda bem abatida, porque tinha muita esperança de saber o que te aconteceu há muito tempo, lá, logo no início do teu desaparecimento e de te reencontrar, viva e com saúde. E a Dona Zilá, amiga… Nossa, Cláudia, a tua mãe é uma guerreira! Uma senhora com mais de 80 anos, doente, passando por tudo isso. Amiga, eu também sou mãe e meus filhos não moram comigo. Todos as noites eu deito a cabeça no travesseiro e penso neles, no que fizeram durante o dia, se estão bem, se estão felizes, se não lhes faltou alguma coisa. Mas eu sei que se pegar o telefone e ligar para eles, vou ter as respostas, porque eu sei onde eles estão. Já a Dona Zilá tem todas essas preocupações e não pode ter as respostas para aliviar seu coração de mãe, porque a sua filha querida lhe foi tirada, da forma mais desumana possível, mais cruel. E ela ainda tem outros sofrimentos ligados ao teu desaparecimento… Mas ela luta, viu amiga? Eu tenho certeza que ela luta por essas respostas porque uma mãe nunca desiste dos seus filhos, mesmo quando eles não compreendem isso, não aceitam ou são manipulados a não entender e não aceitar. As mães amam incondicionalmente e apesar de tudo. Por isto, algumas vezes elas erram… Bom, tu sabes disso, não preciso te explicar… Nós nos entendemos, não é?

Pois é, amiga. As coisas estão assim, suspensas até a tua volta, seja ela como for. Eu continuo observando tudo, refletindo sobre tudo, pensando muito em ti, querendo entender. Já tentei me afastar de ti algumas vezes porque é muito desgastante para mim. Tu sabes os motivos. Mas, amigas de verdade nunca se separam e nossa amizade é verdadeira e intensa. Estamos ligadas através do amor. Amor pela vida, amor pelos filhos, amor pela profissão de educadoras, amor por nossos homens, amor por nossa querida Adriana. A “vermelhinha” é porreta, hein? Identifico-me muito com ela. Gostamos das mesmas coisas, pensamos igual, olhamos a vida pelas mesmas perspectivas e temos a ti, que nos uniu.

Bom, amiga, vou me despedindo, dizendo “até logo”. Amanhã nos falamos novamente, em meus pensamentos e sentimentos. Vai ser assim, eu sei, até o dia que esse pesadelo chegar ao fim. Acho que não vai demorar mais muito tempo, não. A tua força nos levará às respostas, tenho fé. Então, amiga, até logo, até amanhã. Fica em paz, estamos cuidando de tudo por aqui, com muita dor, mas também com muito amor.

Grande beijo, amiga.

Com carinho, Lisa.

5 pensamentos sobre “Para Cláudia, com amor – por Lisa Siqueira

  1. Um ano, as esperanças de encontrá-la com vida foram aos poucos desaparecendo, hoje persiste a tristeza pela perda de alguém que não conhecemos e que ligou a todos nós nessa busca incessante, isso mostra o quanto ela era especial. Um dia teremos as respostas que esperamos e talvez aí possamos sentir um pouco mais de paz. Para a Claudia o carinho e as orações de todos nesse dia.

  2. Admiro muito estå garra , estå coragem de expor seus sentimentos na rede. Não é qualquer pessoa que ė capaz disso. Recebo tudo isso como uma forma de tb permanecer unida, fugindo da omissão. Chega de impunidade e de indiferença. Precisamos ser solidarios e sair de nossas conchas individualistas.

  3. Deus há de ajudar e que venha ao conhecimento de todos o que houve contigo Claudia, não te conheci, mas você me cativou, seus amigos fiéis fizeram com que tivéssemos uma vontade infinita de trazer de volta…que a justiça seja feita e que esses covardes apareçam…fica co DEUS…

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