Privação 


Nunca consegui me acostumar com a perda de quem amo, apesar de ter conhecido a morte muito cedo na minha vida, convivi com a do meu pai aos dez anos, perdi um tio querido aos quatorze, na véspera dos meus quinze anos, depois uma filha aos dezoito, minha avó amada aos 22, meu único irmão e padrinho há dez anos. A vida sempre me disse que seria assim, mas e daí?! Não há consolo na privação de quem se ama. O tempo apenas nos faz encarar os dias e a rotina até a dor abrandar. Então lá vai você na cara e na coragem, com as lembranças do início, meio e fim. Em vários dos meus momentos tu estavas junto e, como amiga, me destes suporte. O que acho insuportável é não ter, ver um final na tua história, apenas um abrupto desaparecimento. No início vivemos de uma esperança, a da tua volta, não conseguíamos enxergar que tinhas nos deixado. Não, nunca nos deixastes, te arrancaram da tua vida e do nosso convívio. E nisso não há um fim, tem sido pior que a morte. Não desejo que ninguém passe por isso. Não tem como se acostumar, nada se encerra, em ínfimos momentos ainda penso na tua volta, aí sou obrigada a abandonar a fantasia e voltar para a dura realidade, não haverá retorno, não te temos mais conosco, em nada, nem para prantear.

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