O sentido da vida


No dia 9 de maio de 2008, eu e outras amigas recebemos essa mensagem da Cláudia… Muitas coisas, para nós, não fazem sentido, sobre tudo o que aconteceu com ela, mas para ela faz todo sentido…

“Encaminho para compartilhar com vocês as palavras de M. Medeiros… embora discorde quanto a falta de sentido da vida. 

Acrescento, então, ao texto minha opinião: Acredito que a vida tem sentido sim, embora talvez não tenha o sentido que queremos ou que entendemos no momento.

Abraços da amiga, Cláudia

Aproveito para desejar um Feliz Dia das Mães para todas, sejam mães de humanos , caninos, felinos e outros mamíferos. Também mães de aves, peixes e répteis. 

Beijo”

Os quatro fantasmas –  Martha Medeiros

Leiga, totalmente leiga em psicanálise, é o que sou. Mas interessada como se dela dependesse minha sobrevivência. Para saciar essa minha curiosidade, costumo ler alguns livros sobre o assunto, e outro dia, envolvida por um texto instigante – acho que da Viviane Mosé, que já foi mencionada nesta página anteriormente – me deparei com as quatro principais questões que assombram nossas vidas e que determinam nossa sanidade mental: 

São elas: 

Sabemos que vamos morrer. 

Somos livres para viver como desejamos. 

Nossa solidão é intrínseca. 

A vida não tem sentido. 

Basicamente, isso. Nossas maiores angústias e dificuldades advêm da maneira como lidamos com nossa finitude, com nossa liberdade, com nossa solidão e com a gratuidade da vida. Sábio é aquele que, diante dessas quatro verdades, não se desespera. 

Realmente, não são questões fáceis. A consciência de que vamos morrer talvez seja a mais desestabilizadora, mas costumamos pensar nisso apenas quando há uma ameaça concreta: o diagnóstico de uma doença ou o avanço da idade. As outras perturbações são mais corriqueiras. Somos livres para escolher o que fazer de nossas vidas, e isso é amedrontador, pois coloca a responsabilidade em nossas mãos. A solidão assusta, mas sabemos que há como conviver com ela: basta que a gente dê conteúdo à nossa existência, que tenhamos uma vontade incessante de aprender, de saber, de se autoconhecer. 

Quanto à gratuidade da vida, alguns resolvem com religião, outros com bom humor e humildade. O que estamos fazendo aqui? Estamos todos de passagem. 

Portanto, não aborreça os outros e nem a si próprio, trate de fazer o bem e se divertir, que já é um grande projeto pessoal. 

Volto a destacar: bom humor e humildade são essenciais para ficarmos em paz. Os arrogantes são os que menos conseguem conviver com a finitude, com a liberdade, com a solidão e com a falta de sentido da vida. Eles se julgam imortais, eles querem ditar as regras para os outros, eles recusam o silêncio e não vivem sem aplausos e holofotes, dos quais são patéticos dependentes. A arrogância e a falta de humor conduzem muita gente a um sofrimento que poderia ser bastante minimizado: bastaria que eles tivessem mais tolerância diante das incertezas. 

Tudo é incerto, a começar pelo dia e a hora de nossa morte. 

Incerto é nosso destino, pois, por mais que façamos escolhas, elas só se mostrarão acertadas ou desastrosas lá adiante, na hora do balanço final. 

Incertos são nossos amores, e por isso é tão importante sentir-se bem mesmo estando 

só. Enfim, incerta é a vida e tudo o que ela comporta. Somos aprendizes, somos novatos, mas beneficiários de uma dádiva: nascemos. Tivemos a chance de existir. De se relacionar. De fazer tentativas. O sentido de tudo isso? 

Fazer parte. Simplesmente fazer parte. 

Muitos têm uma dificuldade tremenda em aceitar essa transitoriedade. Por isso a psicoterapia é tão benéfica. Ela estende a mão e ajuda a domar nosso medo. Só convivendo amigavelmente com esses quatro fantasmas – finitude, liberdade, solidão e falta de sentido da vida – é que conseguiremos atravessar os dias de forma mais alegre e desassombrada.

Um pensamento sobre “O sentido da vida

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